Setembro começou com dois avisos que, à primeira vista, não parecem ter relação: um relatório técnico do Operador Nacional do Sistema Elétrico sobre o El Niño e um temporal de sábado à tarde na Grande São Paulo. Eles têm. Um explica por que a sua conta de luz tende a ficar mais cara nos próximos meses. O outro lembra que ter energia disponível no sistema não é a mesma coisa que ter luz na tomada.
Este texto separa as duas coisas, com o que já é fato e o que ainda é risco, e mostra o que dá para fazer a respeito de cada uma.
O que o ONS avisou e o que isso significa na prática
Em 5 de setembro de 2026, o ONS apresentou ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) os possíveis impactos do Super El Niño no país. A projeção para setembro indica chuva acima da média nas bacias do Sul e próxima da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste, com temperaturas entre normais e acima da média em boa parte do Brasil.
O ponto que chamou atenção veio em seguida. Num cenário menos favorável, com carga maior do que o previsto e condições hidrológicas piores no Sudeste/Centro-Oeste e no Norte, o operador avalia a possibilidade de despacho da totalidade dos recursos térmicos e necessidade de uso das reservas de potência operativa a partir de setembro.
Não é uma previsão de apagão. É o operador dizendo qual é a carta que ele tem na mão se o pior cenário se confirmar. E parte dessa carta já foi jogada: o suprimento de cinco usinas térmicas contratadas em leilões de reserva de capacidade e de energia foi antecipado para 1º de setembro, somando 1,8 GW ao Sistema Interligado Nacional.
Por que térmica ligada significa conta mais cara
A energia hidrelétrica é barata porque o "combustível" é a água que já está no reservatório. A térmica queima gás, óleo ou carvão: tem custo por megawatt-hora gerado, e esse custo entra no sistema. Quando o país precisa acionar térmica fora da ordem econômica, a diferença aparece na conta de todo mundo: primeiro pela bandeira tarifária, depois pelos reajustes anuais das distribuidoras.
É por isso que "o ONS pode ligar todas as térmicas" não é assunto só de engenheiro. É um indicador antecedente do seu boleto.
A conta já subiu: bandeira amarela há cinco meses
Isso não é projeção, já está na fatura. A ANEEL manteve a bandeira amarela em setembro de 2026, o quinto mês consecutivo desde maio. A cobrança extra é de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Numa casa que consome 300 kWh por mês, a bandeira amarela sozinha acrescenta cerca de R$ 5,66 mensais. Parece pouco, e é. Mas ela é um sintoma, não o custo total. A bandeira sinaliza que o sistema está gerando com fontes mais caras; o efeito principal dessa geração cara aparece diluído na tarifa, nos reajustes e na conta de quem consome mais.
Cinco meses seguidos de bandeira acionada é a forma que o setor elétrico tem de dizer, todo mês, que as condições de geração seguem desfavoráveis.
O outro risco: a rede que cai no temporal
No mesmo 5 de setembro, um temporal atingiu a capital paulista e a Região Metropolitana. O resultado: 28 árvores caídas e, segundo dados da Enel às 18h, 31.876 clientes sem energia na área de concessão.
Um detalhe desse episódio explica bem o problema. A capital teve 11.591 clientes sem luz. Embu das Artes, muito menor, teve 13.271, o maior número entre os municípios levantados. Falta de energia por clima extremo não escolhe pelo tamanho da cidade: ela segue a árvore que caiu no ramal certo.
E não é exclusividade de São Paulo. Em agosto de 2026, um vendaval no extremo sul do Rio Grande do Sul deixou mais de 20 mil consumidores sem luz por cinco dias em Santa Vitória do Palmar e Chuí. Um ciclone bomba derrubou torres de transmissão na Lagoa Mirim e danificou 24 estruturas; enquanto a reconstrução acontecia, geradores mantiveram apenas os serviços considerados essenciais pelas autoridades locais.
Cinco dias. É o tipo de prazo que transforma "falta de luz" em prejuízo de verdade: geladeira, trabalho remoto, bomba d'água, portão, elevador. Já falamos sobre isso em o custo invisível da falta de luz.
Duas dores diferentes, duas proteções diferentes
Aqui está a parte que costuma se confundir. "Me proteger da energia" não é um problema só, são dois, e a solução de um não resolve o outro.
- Inflação energética. A conta sobe porque o sistema está gerando com fonte cara. A proteção é gerar a sua própria energia, para depender menos do que acontece no despacho nacional.
- Falha de rede. A luz cai porque um cabo, um poste ou uma torre saiu do ar. Aqui gerar não basta: sem bateria, o sistema solar comum desliga junto com a rede, por uma exigência de segurança. A proteção é armazenamento.
Esse segundo ponto surpreende muita gente que já tem painel no telhado. Se você não sabia, vale ler por que o sistema de energia solar desliga quando acaba a luz: é a chamada proteção anti-ilhamento, e ela existe para não eletrocutar quem está consertando a rede.
Para casa e pequeno negócio: solar com bateria por assinatura
O SunnyBOX junta as duas proteções num contrato só: geração solar para amortecer a conta e bateria inteligente para continuar com energia nos circuitos essenciais quando a rede cai.
Por ser assinatura, não há compra de equipamento: projeto, instalação, monitoramento, seguro e manutenção entram na mensalidade, e o valor é fixo. Num ano de bandeira acionada cinco meses seguidos, é justamente esse o ponto. Você troca uma conta que oscila com o despacho térmico por uma parcela previsível.
Disponível hoje em São Paulo e Porto Alegre, para quem tem telhado próprio e conta acima de R$ 350.
Para condomínios: o que não pode parar
Em prédio, apagão não é desconforto, é segurança. Sem energia, param portaria eletrônica, câmeras, controle de acesso, elevador e bomba d'água: tudo ao mesmo tempo, e geralmente à noite, que é quando o temporal costuma chegar.
O SunnySafe é a solução híbrida de solar com bateria LFP pensada para manter os sistemas críticos de segurança funcionando durante as quedas, também por assinatura.
Checklist rápido para o síndico
- Quanto tempo o condomínio ficou sem energia nos últimos 12 meses? Some as ocorrências, não olhe só a maior.
- Com a rede fora, o que continua funcionando hoje? Se a resposta for "o gerador", pergunte quando ele foi testado com carga pela última vez.
- A portaria consegue identificar e liberar moradores no escuro? E o interfone?
- A bomba d'água tem autonomia para quantas horas de caixa cheia?
- O elevador tem resgate automático? Alguém já ficou preso?
- Quanto o condomínio paga hoje de energia nas áreas comuns, e quanto disso a geração solar cobriria?
As respostas dessas seis perguntas costumam ser suficientes para decidir se o assunto é urgente ou pode esperar. Sobre o tema, escrevemos também sobre segurança para condomínios.
O que é fato e o que é risco
Para fechar sem exagero, vale separar:
São fatos: o ONS levou ao CMSE o cenário de despacho total de térmicas e uso de reserva de potência a partir de setembro; cinco térmicas tiveram suprimento antecipado para 1º de setembro, somando 1,8 GW; a bandeira amarela está no quinto mês seguido, a R$ 1,885 por 100 kWh; o temporal de 5 de setembro deixou 31.876 clientes sem luz na Grande São Paulo; e o vendaval de agosto deixou mais de 20 mil consumidores sem energia por cinco dias no extremo sul gaúcho.
É risco, não certeza: que o El Niño provoque apagão generalizado ou bandeira vermelha nos próximos meses. O cenário desfavorável do ONS é uma das possibilidades avaliadas, não uma previsão. O que já está acontecendo é a pressão de custo, e essa não depende do pior cenário se confirmar.
A decisão, então, não é sobre acreditar ou não numa catástrofe. É sobre quanto você quer depender de uma variável que não controla.
Próximo passo
Se você mora em casa ou tem um pequeno negócio e quer conta previsível com energia mesmo na queda, comece pelo SunnyBOX. Se você é síndico ou faz parte do conselho, o caminho é o SunnySafe. Nos dois casos, dá para falar com um especialista e receber uma simulação gratuita, sem compromisso.
Fontes
- ONS/CMSE: apresentação sobre impactos do Super El Niño e cenário de despacho térmico (5 de setembro de 2026).
- Ministério de Minas e Energia: CMSE aprova medidas para preparar o sistema elétrico para os impactos do El Niño, incluindo a antecipação de 1,8 GW em contratos de térmicas.
- ANEEL: bandeira tarifária de setembro de 2026 (amarela, R$ 1,885 a cada 100 kWh).
- Dados da Enel sobre o temporal de 5 de setembro de 2026 na capital e na Região Metropolitana de São Paulo.
- Cobertura do vendaval de agosto de 2026 em Santa Vitória do Palmar e Chuí (RS) e dos danos às torres de transmissão na Lagoa Mirim.


